O impacto da Engenharia Química no cotidiano: os medicamentos

O impacto da Engenharia Química no cotidiano: os medicamentos

Provavelmente você ou alguém que você conhece teve febre e teve que tomar um medicamento antitérmico, ou talvez uma dor de cabeça daquelas, que “magicamente” passava ao tomar um medicamento analgésico. Os medicamentos, popularmente conhecidos como “remédios” no Brasil, são produtos farmacêuticos tecnicamente obtidos ou elaborados, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico segundo a definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas você já parou para pensar a respeito de como esses produtos são feitos? Será que o tratamento de doenças com certos princípios ativos sempre foi tão acessível?

Contexto histórico dos medicamentos

            Desde a época dos registros pré-históricos mais antigos de que se tem notícia, o uso de ervas e alimentos com objetivos terapêuticos acompanha a história da humanidade. No Egito Antigo, o Papiro de Ebers, datado de 1550 A.C., foi um dos primeiros compêndios farmacológicos já produzidos, e é um dos mais importantes da história. Entretanto, o grande salto para a pesquisa e a fabricação em massa de novos e melhores medicamentos se deu com o surgimento da Indústria Farmacêutica, no contexto da primeira e principalmente da segunda Revolução Industrial, em meados do século XIX. A união do capital de risco às mentes brilhantes do Século das Luzes providenciou novos equipamentos, processos e materiais que foram fundamentais para a melhoria da qualidade de vida da população mundial.

Em 1816, Emanuel Merck isolou e caracterizou diversos alcaloides, inventou diversas drogas, e em 1827 começou a manufatura a granel dessas substâncias. Esse foi o início da Multinacional Merck como conhecemos. Em 1896, a empresa fundada por Fritz Hoffmann-La Roche se tornou inicialmente conhecida por produzir preparados vitamínicos e derivados.

Diversas empresas do ramo têxtil tiveram importância primordial no amadurecimento do setor farmacológico, pois com seu sucesso vieram novas tecnologias e descobertas no ramo da Síntese Orgânica (área aplicada da química orgânica que busca unir diversos métodos diretos de sínteses de compostos numa ordem sequencial de reações a fim de produzir determinado composto da forma mais econômica – e limpa – possível), inclusive muitas se tornando elas próprias indústrias farmacêuticas, como a Bayer.

Ao fim do século XIX e início do século XX, o processo econômico de fabricação de aço havia sido patenteado, o petróleo já era massivamente extraído e refinado pelo mundo (A Standard Oil particularmente detinha 90% da participação de mercado mundial na área), e conhecimentos da física clássica estavam enfim se consolidando. Nesse contexto, as indústrias farmacêuticas puderam baratear seu processo de produção e começaram a produzir em massa.

Aplicação da Engenharia Química nos medicamentos

Pragmática, ela uniu conhecimentos técnicos em síntese orgânica, mecânica dos fluidos e termodinâmica à visão mercadológica e orientada à eficiência, permitindo a visão geral do que deve ser feito e a viabilidade detalhada de cada etapa de produção, escolhendo os melhores equipamentos, materiais e processos produtivos.

Um exemplo é o da produção da penicilina, um dos primeiros medicamentos eficazes até então contra diversos tipos de bactérias. A penicilina foi descoberta em 1928 pelo microbiologista Alexander Fleming, mas quem permitiu a sua produção em massa foi Margaret Hutchinson Rousseau. Hutchinson foi a primeira mulher a conquistar um doutorado em engenharia química e também ser membra do Instituto Americano de Engenheiros Químicos. Ela foi a engenheira química que desenhou a primeira planta de produção de penicilina comercial. Foi assim que o mundo ingressou na era dos antibióticos.

O impacto da profissão de engenheiro químico é notável. Apenas com os antibióticos, as estatísticas do Departamento de Saúde dos Estados Unidos mostram que nos 15 anos após a entrada em cena dos antibióticos foram salvos da morte precoce 1,5 milhão de norte-americanos. No Hospital Em São Paulo, o que trata exclusivamente de doenças infecto-contagiosas, as mortes por febre tifóide baixaram de 14 por cento para 0,7 por cento no mesmo período.

E aí, o que achou? Deu para entender um pouco melhor o impacto da engenharia química no nosso cotidiano? Quer também impactar a sociedade realizando projetos que utilizem seus conhecimentos de Engenharia Química? Acesse nosso site e venha fazer um projeto com a CONPLEQ!

Texto escrito pelo Diretor André Vaz.

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *