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Análise de água: Quais as exigências da legislação brasileira?

A água é um recurso primordial à vida humana, utilizada tanto para consumo direto, preparo de alimentos, higiene pessoal e até processos industriais, onde é necessário que ela esteja sempre em condições apropriadas e seguras. A qualidade da água que chega às torneiras está diretamente ligada com a saúde pública, por isso se faz necessário garantir que cada gota cumpra rigorosamente os padrões legais de qualidade e segurança. No Brasil, há a regulamentação pela portaria GM/MS n° 888/2021, do Ministério da Saúde, que estabelece os padrões de potabilidade e os limites máximos de micro organismos e características físico-químicas permitidos para garantir a segurança e prevenção de riscos à saúde.

A complexidade dessa legislação se evidencia através da ampla quantidade de aspectos avaliados no controle da qualidade da água. São cerca de 110 parâmetros definidos, abrangendo fatores físicos, químicos, microbiológicos, radiológicos e sensoriais, trazendo uma abordagem moderna e preventiva da vigilância da água, alinhada a padrões internacionais e voltada para a proteção contínua da saúde da população.

Entre os aspectos mais críticos, encontra-se os parâmetros microbiológicos, pois microrganismos patogênicos podem afetar diretamente a saúde de quem consome a água contaminada, podendo gerar graves doenças. A portaria exige ausência total de E. coli, em 100 mL de amostra, indicando ausência de contaminação fecal, um dos maiores riscos à saúde no abastecimento público. A ausência dessa bactéria traduz em uma redução significativa de probabilidade de infecções gastrointestinais e surtos epidemiológicos.

A legislação também verifica parâmetros químicos, avaliando se há substâncias dissolvidas que podem gerar efeitos tóxicos, mesmo em pequenas concentrações. Metais pesados, nitratos e nitritos, além de resíduos de agrotóxicos, são rigorosamente controlados devido ao risco potencial de causar doenças crônicas, distúrbios neurológicos e complicações metabólicas. O cloro residual livre também deve ser mantido em níveis aceitáveis para garantir a desinfecção contínua em redes de distribuição, evitando a proliferação de bactérias.

Outras características monitoradas são a de cor, sabor, odor, turbidez e pH. Por mais simples que são, essas características interferem na aceitabilidade sensorial, além de possíveis indicadores de contaminantes e falhas no tratamento. Alterações nesses parâmetros podem indicar presença de poluentes, metais, partículas em suspenção e matéria orgânica, que são fatores que comprometem a segurança e a qualidade da água.

A portaria também contempla fatores radiológicos, prevendo limites para radioatividade alfa e beta total, reconhecendo a possibilidade de presença de agentes radiológicos que podem causar riscos silenciosos e comprometer a saúde ao longo do tempo.

Portanto, podemos concluir que a análise de água é mais do que uma exigência legal. O Monitoramento de todos esses parâmetros traz valor por se tratar de uma questão de saúde pública. Garantir que os parâmetros sejam atendidos é assegurar que a água a ser consumida seja um símbolo de saúde, segurança e bem-estar.

Escrito por Victor Toledo e Thaíssa Melo